ANGOLA GASTA 850 MIL DÓLARES POR DIA A IMPORTAR FRANGOS

Angola gasta cerca de 850 mil dólares por dia (cerca de 790 mil euros) para importar frango, disse hoje o ministro da Indústria e Comércio, sendo objectivo do Governo tornar o país autossuficiente e, futuramente, exportador. Bem diz o dono do país, João Lourenço, quando afirma que “o MPLA fez mais em 50 anos do que os portugueses em 500…”

Rui Miguêns de Oliveira falava na conferência sobre o desenvolvimento do sector avícola, realizada em Luanda, adiantando que Angola importou cerca de 228 mil toneladas de frango em 2025, equivalentes a mais de 312 milhões de dólares (cerca de 290 milhões de euros).

Segundo o governante, apesar de as importações terem diminuído no ano passado 18,64% face a 2024, continuam a representar um peso significativo na economia.

“Cada dólar enviado para o estrangeiro é um dólar que não é investido” na indústria angolana, na agricultura e na criação de emprego para os jovens, representando uma perda de oportunidades para a criação de riqueza”, afirmou.

No discurso de abertura, Rui Miguêns de Oliveira sublinhou que o objectivo do Executivo é transformar Angola num produtor de carne de frango autossuficiente e, num futuro não muito distante, exportador.

O ministro destacou que, entre 2019 e 2025, a produção nacional de frango registou um crescimento considerado “encorajador”, passando de 28 mil toneladas para cerca de 63 mil toneladas, ainda assim insuficiente para suprir as necessidades de consumo anuais, estimadas em 300 a 360 mil toneladas.

Também a produção de milho, principal componente da alimentação animal, aumentou no mesmo período de 2,8 milhões para 3,5 milhões de toneladas, o que, segundo o governante, demonstra o potencial de resposta da agricultura nacional.

“Ao darmos ferramentas aos nossos produtores, a nossa terra responde e os nossos produtores expandem a produção”, afirmou, acrescentando que, para atingir as metas definidas no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN), é necessário acelerar o ritmo de crescimento.

Rui Miguêns de Oliveira considerou que a avicultura tem condições para se tornar “um motor da diversificação económica”, salientando que o setor mobiliza toda uma cadeia de valor, desde a agricultura e a indústria até à logística e aos serviços.

O governante apontou ainda a necessidade de reforçar os recursos humanos e infra-estruturas de energia e água, factores que, disse, “incorporam valor e geram oportunidades de investimento e emprego”.

Segundo o ministro, a autossuficiência alimentar está no centro das prioridades do Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, para garantir alimentos à população (hoje o reino tem mais de 20 milhões de pobres) e também para reduzir a exposição do país a choques nos preços internacionais e a interrupções nas cadeias logísticas globais.

Rui Miguêns de Oliveira referiu que o actual contexto internacional, marcado por alterações nas cadeias logísticas associadas ao petróleo e circulação de mercadorias no Médio Oriente, pode afectar o comércio global e reforça a necessidade de aumentar a produção interna.

Entre os principais desafios do sector destacou o acesso ao financiamento, reconhecendo que o capital continua a ser “um dos maiores entraves à expansão da produção”.

“Precisamos de instrumentos financeiros que compreendam o risco do agronegócio e os ciclos biológicos das aves”, afirmou.

O ministro destacou as políticas públicas e incentivos à produção, referindo que o Executivo tem adotado medidas, incluindo “restrições tarifárias e não tarifárias às importações”, para estimular a produção nacional, procurando ao mesmo tempo garantir o acesso da população a proteína animal.

Rui Miguêns de Oliveira defendeu que Angola deve apostar numa “competitividade estrutural que permita consolidar bases permanentes para a produção de frango, apelando ao reforço de parcerias entre o sector público e privado.

A conferência foi organizada pelo Fundo Soberano de Angola com apoio da Corporação Financeira Internacional, o braço financeiro do Banco Mundial, pretendendo criar uma plataforma de diálogo entre Governo, produtores e investidores para impulsionar o desenvolvimento do setor avícola no país.

DOS FRANGOS DE MASSANO AOS TOMATES DE MANGUEIRA

O Executivo (do MPLA há 50 anos) disse em 2024 que iria apoiar o sector avícola e agro-pecuário com 20 mil toneladas de milho e soja, através da reserva do Entreposto Aduaneiro de Angola (EAA), até ao final de 2024, para salvaguardar a produção de carne de frango em Angola. Viva, gritaram bem alto os 20 milhões de pobres.

A garantia foi do ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, em declarações à imprensa no final de uma reunião com a Associação dos Avicultores de Angola (ANAVI) e representantes da Associação Agro-Pecuária de Angola (AAPA), realizada na Fazenda Filomena, localizada no Panguila, província do Bengo.

Segundo o governante, o encontro visou aproximar os produtores, depois de identificada, na primeira reunião, realizada em Luanda, que a produção de milho e de soja tinha um impacto muito grande sobre o custo da ração animal. Quem diria? Não fosse o ministro Massano e todos ficaríamos a pensar que o custo da ração animal estava dependente da produção de loengos e maracujás…

Devido ao défice que se regista na produção desses grãos, acrescentou, o entreposto passará a reservar estes produtos, para que quando ocorrer uma quebra na oferta poder intervir e garantir a estabilidade dos preços, sem pôr em causa o que os produtores podem fazer. A erudição do ministro aproxima-se muito da do general João Lourenço.

A este propósito, o ministro de Estado anunciou a criação de um observatório para acompanhar a implementação desta e outras medidas, em que os ministérios da Agricultura e Florestas, Indústria e Comércio e as duas associações teriam um espaço regular, para o devido acompanhamento dessas medidas, medir o seu impacto e fazer-se as correcções em tempo útil.

As associações de avicultores e de produtores agro-pecuários chegaram a um entendimento para a criação de uma parceria para que, com os preços estabilizados, se garanta uma oferta regular e previsibilidade da produção de ração e segurança aos produtores de carne de frango.

Na reunião foi acordado também que, com os mecanismos de apoio ao financiamento à produção nacional, seriam disponibilizadas linhas de crédito específicas para a produção de frango em Angola.

O ministro de Estado manifestou, por outro lado, a sua satisfação por constatar que existem pessoas “muito interessadas, dedicadas, conhecedoras e motivadas para fazer acontecer” (que, provavelmente, são todas do MPLA), tendo reconhecido o trabalho que a Fazenda Filomena tem estado a desenvolver, assim como todos os produtores do país.

José de Lima Massano realçou que, depois de visitar a fazenda, saiu convencido de que o país estava a dar os passos no caminho certo. É assim há 50 anos. Quando será que o ministro visita uma fazenda onde as couves sejam (como faziam os portugueses) plantadas com a raiz para baixo?

Por sua vez, o presidente da Associação Agro-Pecuária de Angola (AAPA), Vanderlei Ribeiro, destacou o facto de a reunião entre as associações e o Governo “unir esforços por uma causa comum”.

Vanderlei Ribeiro frisou que as dificuldades sentidas a nível do sector avícola para a produção de carne de frango estão relacionadas com a produção de matéria-prima para avicultura, nomeadamente o milho e a soja, e que era preciso as duas associações olharem para o problema de forma mais clara.

Neste sentido, disse, a AAPA, em particular, enquanto representante dos produtores de média e larga escala de grãos, apresentou propostas de como se pode tornar mais barato o acesso à matéria-prima, porque a dificuldade de ração a bom preço prende-se com o custo de produção.

MANGUEIRA PRODUZ… TOMATES

O governo do Namibe pretende nos próximos dois anos aumentar a sua influência na produção e comercialização do tomate, que actualmente corresponde a 60 por cento da safra nacional, prometeu dia 19 de Maio de 2024, o governador Archer Mangueira. Como se sabe, tomates é algo (ao contrário de nabos) quase inexistente na sociedade angolana.

Ao apresentar o memorando sobre o desenvolvimento económico e social da província ao Presidente João Lourenço, o governador afirmou, em português, que actualmente o Namibe já abastece o país com 60 por cento do tomate produzido nos vales locais.

“Actualmente já garantimos o fornecimento de tomate a nível nacional, mas precisamos que esta produção e comercialização sejam a preços competitivos. Para o efeito, necessitamos de fazer com que os insumos também tenham preços muito mais competitivos”, afirmou.

No Namibe, a produção do tomate é feita em grande escala no município de Moçâmedes, mais precisamente na comuna da Lucira, nos vales do rio Carajumba e Inamangando, rio Bero, assim como no Tômbwa.

Semanalmente, mais de 50 camiões carregados com 200 caixas de tomate são transportados para vários pontos comerciais como Luanda, Huíla, Benguela, Uíge, Moxico, Malange e Cunene.

Neste encontro, o governador apontou ainda alguns desafios para o sector agro-pecuário, por forma a prevenir os efeitos da seca a nível da província, com a execução de projectos de âmbito central, consubstanciados na concepção e construção de barragens de Carujamba, do Giraul e de Inamangando.

Outra aposta, segundo o governador, vai para a construção de barragens de retenção de água no vale do rio Bero e do Curoca, a recuperação e desassoreamento de 43 pequenos açudes nos municípios da Bibala e Camucuio e Virei.

Em 2017, um cidadão da Eritreia pretendeu investir 230 mil euros para criar na província de Benguela uma fazenda com 80 hectares e capacidade de produção anual de quase 2.400 toneladas de tomate, batata e feijão.

Em causa estava o projecto para a criação da empresa Himbol Agroindústria, a instalar na Canjala, município do Lobito, já aprovado pelo Ministério da Agricultura e cuja primeira fase, com uma área de 50 hectares de cultivo, deveria estar em produção no início de 2018.

O objectivo passava por produzir localmente, na província de Benguela, hortícolas e leguminosas, nomeadamente feijão, tomate e batata, criando inicialmente 16 postos de trabalho directos.

Na primeira fase, de acordo com o contrato de investimento, estava prevista uma produção total de 1.480 toneladas, que praticamente duplicaria no prazo de três anos, distribuindo-se então por 16 hectares de cultura de tomate, 32 hectares de batata e 32 de feijão.

Em Agosto de 2023, os camponeses e pequenos agricultores no município de Icolo e Bengo, província de Luanda, passaram a contar com um programa denominado “Sexta-feira na Lavra”, de apoio e incentivo à produção agrícola, anunciou na altura o administrador local, Nelson Funete.

O programa de iniciativa da administração local, centraliza-se na visita dos campos agrícolas e contacto directo com os camponeses, para melhor compreender as suas dificuldades e canalizar as ajudas necessárias.

Segundo o responsável, após visitar um agricultor nos arredores de Catete, o objectivo do programa é incentivar os camponeses a continuarem a trabalhar e aumentar os níveis de produção no município de Icolo e Bengo.

Na ocasião, Nelson Funete participou da colheita de 300 caixas de tomates, 150 caixas de beringela e igual número de cebola.

“O esforço destes agricultores nos anima e fazem jus à nossa pretensão de transformar o Icolo e Bengo no principal celeiro da província de Luanda”, referiu.

Lembrou que para tal, a administração local deverá continuar a apoiar os agricultores, razão pela qual, entregou kits agrícolas compostos por adubo, semente, pesticida, pulverizadores, motobomba e duas motas de três rodas.

Por seu turno, o agricultor, Bartolomeu Augusto, mostrou-se feliz com a visita e pela recepção dos kits, que para ajudar na sua actividade agrícola.

O fazendeiro produzia na altura num espaço de 47 hectares e estava a plantar cebola, tomate, beringela e milho, tendo como local de escoamento os mercados informais de Luanda.

O município de Icolo e Bengo, a 62 quilómetros da cidade Luanda, controla 46 cooperativas agro-pecuárias, integradas por três mil e 800 camponeses.

Por seu turno, o director do Gabinete da Agricultura, Pecuária e Pescas do Cunene, Carlos Ndanyengondunge, explicou que o período do cultivo do tomate inicia-se no mês de Abril, porque em tempo da chuva não são todas as variedades que se adaptam.

Os produtos que mais aparecem no mercado informal do Oshomukuio são a cebola e batata-doce, praticados a um preço mais acessível.

O tomate é um fruto rico em vitamina C, vitamina A, vitamina K e licopeno, que é um potente antioxidante, ajudando a manter a saúde da pele, fortalecer o sistema imunológico e evitar doenças cardiovasculares, como infarto e aterosclerose.

O Cunene contou com 100 cooperativas e associações agrícolas, que produzem o tomate, cebola e couve, entre outras verduras, sobretudo nas localidades de Calueque, Ondjiva e ao longo do canal do Cafu.

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